Saturday, March 05, 2011
Monday, February 21, 2011
Monday, January 31, 2011
Como pode não desaparecer?
O mundo continua, e as vidas dos outros continuam. A tua continua em stand by. À espera que volte o que nunca deixaste de querer que voltasse, ainda que saibas impossível voltar como gostarias que voltasse, blá blá blá, blá blá blá, blá blá.
Como pode? Tem de haver alguma forma, que queres que a vida continue. É que quando quase te conformas e levantas o primeiro pé para o primeiro passo... BAM reaparece, ou lembra-te que nunca desaparece. É que pode acontecer tudo e tudo e tudo, e "não, não, não, nunca mais, jamais, não, nunca, nunca mais!", que basta aparecer na sua máxima simplicidade e é tão BAM. Que frágil conseguiste tornar-te.
Odeias e vais esquecer e já não gostas, e já te irrita, e mete-te nojo. Aliás, até já só te parece normal, normal, normal. "Indiferente", é o que dizes. Mas quando olha, ou quando ri, ou só sorri, quando passa e quando passa e olha, e quando passa e não olha, quando finge não olhar... Cai tudo outra vez, pela milésima vez. Cai tudo, rasga o pano, a crosta da ferida. Puta de ferida, infinita. Nunca vai passar. Sorri e cai-te tudo... Dás-te como quem nunca sofreu por se ter dado. Dás tudo e tudo de ti... E assim, és o paradigma de todas as pessoas mais fortes do mundo, a quem o amor transformou todas as forças em potências de vulnerabilidade, e és a fragilidade de Sísifo no cimo do monte, na pedra que cai mais uma vez, para que ele volte a carregá-la monte acima, sabendo que vai novamente cair, para que volte a ir buscá-la, para que caia uma outra vez, de um para sempre inevitável... E ele é bem mais musculado do que tu! Porcaria de ferida! Parece sempre que já está quase curada... Não é justo que dê tanto trabalho a curar e tão pouco a deitar tudo a perder! Era fixe.
Como pode? Tem de haver alguma forma, que queres que a vida continue. É que quando quase te conformas e levantas o primeiro pé para o primeiro passo... BAM reaparece, ou lembra-te que nunca desaparece. É que pode acontecer tudo e tudo e tudo, e "não, não, não, nunca mais, jamais, não, nunca, nunca mais!", que basta aparecer na sua máxima simplicidade e é tão BAM. Que frágil conseguiste tornar-te.
Odeias e vais esquecer e já não gostas, e já te irrita, e mete-te nojo. Aliás, até já só te parece normal, normal, normal. "Indiferente", é o que dizes. Mas quando olha, ou quando ri, ou só sorri, quando passa e quando passa e olha, e quando passa e não olha, quando finge não olhar... Cai tudo outra vez, pela milésima vez. Cai tudo, rasga o pano, a crosta da ferida. Puta de ferida, infinita. Nunca vai passar. Sorri e cai-te tudo... Dás-te como quem nunca sofreu por se ter dado. Dás tudo e tudo de ti... E assim, és o paradigma de todas as pessoas mais fortes do mundo, a quem o amor transformou todas as forças em potências de vulnerabilidade, e és a fragilidade de Sísifo no cimo do monte, na pedra que cai mais uma vez, para que ele volte a carregá-la monte acima, sabendo que vai novamente cair, para que volte a ir buscá-la, para que caia uma outra vez, de um para sempre inevitável... E ele é bem mais musculado do que tu! Porcaria de ferida! Parece sempre que já está quase curada... Não é justo que dê tanto trabalho a curar e tão pouco a deitar tudo a perder! Era fixe.
Wednesday, January 19, 2011
Não consegues pensar porque não vais assim como quem anda pela rua ou pela praia com os pés no mar, porque vais como quem anda na areia a pensar que lhe vão entrar três grãos para o meio dos dedos.
Tira os sapatos, e as meias, e a roupa, mas se queres faz.
Faz qualquer coisa, de sentido, sem sentido, com sentidos inerentes, sem sentido, que se foda. Sentido és tu em mim e areia no pé. E palavras desconexas que quero aprender que não são (palavras ou palavras desconexas, já escolho). São sons e significados e perdem-se sempre bocados na faca do pão. Barra/barra, a barra da ilha, molha os pés, na barra, barra as palavras no pão e perde bocados na faca, come o pão e lava a faca... A palavra não ficou mais fraca.
Transformou-se tudo o que já não era mais do que a transformação de alguma coisa que tinha sido tudo o que não tinha sido mais do que a transformação de alguma outra coisa, que te diz que o big bang não interessa para nada na tua forma de compreender o mundo se o Lavoisier chegou à tua beira com um saco de gomas, e tu comeste as gomas e fizeste cocó em forma de ursinhos.
Limpa limpa limpa tudo, devolve-te a ti, dá, dá-te, a ti, e a quem for, dá como queres, dá tudo, dá não te quereres dar! Dou-te não te querer AMAR, pega, para ti. Limpa, então transforma... Qualquer coisa... Os gri-gris dos grilinhos aos nossos ouvidos são amplificados e esticados, pega, agora és pequenino, cheio de gigantes simpáticos por todos os lados. Ui que medo... É o que é e o que não é no que é e no que não é, é o que for, então segue, só, que é.
Limpa limpa limpa tudo, devolve-te a ti, dá, dá-te, a ti, e a quem for, dá como queres, dá tudo, dá não te quereres dar! Dou-te não te querer AMAR, pega, para ti. Limpa, então transforma... Qualquer coisa... Os gri-gris dos grilinhos aos nossos ouvidos são amplificados e esticados, pega, agora és pequenino, cheio de gigantes simpáticos por todos os lados. Ui que medo... É o que é e o que não é no que é e no que não é, é o que for, então segue, só, que é.
Sunday, January 02, 2011
Tuesday, December 14, 2010
para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltares para nunca mais voltares para nunca mais voltares para nunca mais voltares para nunca mais voltar para nunca mais voltares
voltas sempre voltas sempre voltas sempre voltas sempre voltas sempre voltas sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre nunca voltas volto sempre nunca voltas nunca ficaste nunca voltas nunca ficaste nunca ficaste nunca ficaste nunca entraste nunca voltas nunca voltas nunca entraste nunca voltas nunca entraste nunca entraste nunca entraste nunca entraste volto sempre nunca voltas volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre nunca entraste nunca foste nunca entraste nunca foste nunca entraste nunca foste nunca entraste nunca foste nunca foste nunca foste nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca entraste nunca ficaste nunca ficaste nunca saiste nunca fomos nunca voltas e eu volto sempre para nunca mais voltar para nunca mais voltares e eu volto sempre
voltas sempre voltas sempre voltas sempre voltas sempre voltas sempre voltas sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre nunca voltas volto sempre nunca voltas nunca ficaste nunca voltas nunca ficaste nunca ficaste nunca ficaste nunca entraste nunca voltas nunca voltas nunca entraste nunca voltas nunca entraste nunca entraste nunca entraste nunca entraste volto sempre nunca voltas volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre nunca entraste nunca foste nunca entraste nunca foste nunca entraste nunca foste nunca entraste nunca foste nunca foste nunca foste nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca entraste nunca ficaste nunca ficaste nunca saiste nunca fomos nunca voltas e eu volto sempre para nunca mais voltar para nunca mais voltares e eu volto sempre
Thursday, December 09, 2010
estou a trepar, apagar
Para nunca mais te ver
avenida melancólica, de uma melancolia insuportavelmente pesada.
Valia a pena ter ido para nunca mais te ver.
a avenida melancólica, que agora atravesso todos os dias,
a melancolia tão insuportavelmente pesada que me arrasta e que me faz arrastar-me no fim de cada dia,
a desconexão de quem não dorme há dias e de quem já se esqueceu do que é ser.
Quem, eu?
não me tivesse habituado a estar de rastos de viver. Não me reconheço no que sou... já nem sou.
E não sei quem és, quem foste
fui só eu que fui o que foste?
devia ter-te apagado. Estranho-te em ti, em mim, nos outros e no mundo à nossa volta.
Podes ficar com tudo o que me tiraste aí em baixo, que não tenho tempo para apanhar os restos.
avenida melancólica, de uma melancolia insuportavelmente pesada.
Valia a pena ter ido para nunca mais te ver.
a avenida melancólica, que agora atravesso todos os dias,
a melancolia tão insuportavelmente pesada que me arrasta e que me faz arrastar-me no fim de cada dia,
a desconexão de quem não dorme há dias e de quem já se esqueceu do que é ser.
Quem, eu?
não me tivesse habituado a estar de rastos de viver. Não me reconheço no que sou... já nem sou.
E não sei quem és, quem foste
fui só eu que fui o que foste?
devia ter-te apagado. Estranho-te em ti, em mim, nos outros e no mundo à nossa volta.
Podes ficar com tudo o que me tiraste aí em baixo, que não tenho tempo para apanhar os restos.
Tuesday, October 05, 2010
Não quero ir para a cama porque encontrei os melhores cinco segundos de música da minha vida, sendo três deles os melhores de sempre, do mundo, e tenho medo de acordar amanhã e tê-los perdido para sempre. Vivem na efeméride da internet e não há como trazê-los para a vida real, o que ainda os torna, na verdade, mais místicos.
Estou a ficar com sono mas não quero parar de fazer o clique para uma nova repetição... Não quero perdê-los mesmo não me pertencendo, mas não quero, por outro lado, que percam tudo o que envolve não serem de ninguém, e serem de toda a gente, existirem neste momento, como poderem no seguinte desaparecer para sempre... Assim, nada mais justo do que provar que foram, para mim, reais, aqui, onde nada se prova, e onde tudo de mim pode ser nada de mim, e mais palavras sem rosto, com mil rostos, são lançadas à mesma efeméride da genialidade daqueles segundos de música. Que se encontrem lá, numa pureza virtual, de ironias irreconhecidas que as torna puras como nós não somos.
Até amanhã, acabou a música.
É uma boa música, só não digo genial porque coloca a si própria uma fasquia demasiado alta ao começar com aquilo que é hoje, aqui, e agora, o sentido do mundo.
Estou a ficar com sono mas não quero parar de fazer o clique para uma nova repetição... Não quero perdê-los mesmo não me pertencendo, mas não quero, por outro lado, que percam tudo o que envolve não serem de ninguém, e serem de toda a gente, existirem neste momento, como poderem no seguinte desaparecer para sempre... Assim, nada mais justo do que provar que foram, para mim, reais, aqui, onde nada se prova, e onde tudo de mim pode ser nada de mim, e mais palavras sem rosto, com mil rostos, são lançadas à mesma efeméride da genialidade daqueles segundos de música. Que se encontrem lá, numa pureza virtual, de ironias irreconhecidas que as torna puras como nós não somos.
Até amanhã, acabou a música.
É uma boa música, só não digo genial porque coloca a si própria uma fasquia demasiado alta ao começar com aquilo que é hoje, aqui, e agora, o sentido do mundo.
Friday, August 27, 2010
Nós, as pessoas, e as coisas à nossa volta. Aqueles reflexos na água, dos nossos risos, e a cor deles no luar. Os reflexos da água são tanto como somos, que o real é tão surreal que já não interessa mais do que parece... Que já não interessa pensá-lo, tentar tocar-lhe e explicá-lo, por não ser mais do que um ténue roçar, um limbo, um pairar frágil... Não lhe quero tocar, que não o quero perder...
Quero falar para sempre, na metáfora do que o diálogo pode ser, e descobrir como se abre a porta que o torna possível neste real sujo e cinzento, que se mede e define e em que se toca, sem se sentir nada e sem que se parta.
Quero falar para sempre contigo, e com essas pessoas como tu, que andam aqui como quem anda ali... Ou que são dali e aprenderam que o aqui não existe. Dá-me a mão e ajuda-me a saltar para onde o aqui já está com os nossos risos no reflexo do rio, na luz do luar.
Tu és daí e o mundo é todo teu sem teres que ter nada mais do que esse poder verdadeiro de quereres ser de todo o lado e de toda a gente, sem te prenderes a lado nenhum e a nenhuma pessoa de qualquer outra forma que não a de existires nessa tua natureza, num sítio certo, num momento certo.
E dás-te quando és livremente inalcançável.
Quero falar para sempre, na metáfora do que o diálogo pode ser, e descobrir como se abre a porta que o torna possível neste real sujo e cinzento, que se mede e define e em que se toca, sem se sentir nada e sem que se parta.
Quero falar para sempre contigo, e com essas pessoas como tu, que andam aqui como quem anda ali... Ou que são dali e aprenderam que o aqui não existe. Dá-me a mão e ajuda-me a saltar para onde o aqui já está com os nossos risos no reflexo do rio, na luz do luar.
Tu és daí e o mundo é todo teu sem teres que ter nada mais do que esse poder verdadeiro de quereres ser de todo o lado e de toda a gente, sem te prenderes a lado nenhum e a nenhuma pessoa de qualquer outra forma que não a de existires nessa tua natureza, num sítio certo, num momento certo.
E dás-te quando és livremente inalcançável.
Wednesday, July 14, 2010
Deve ser este o ponto de partida do fim
Escrever já não vai servir de nada, pintar já não vai servir de nada, correr já não vai servir de nada, gritar já não vai servir de nada. Não vai haver mais refúgios, mais capas, mas camadas, mais sal e mais pimenta. Vamos ter de engolir em seco, de mastigar a cru, de sentir a dor cuja intensidade não muda com mais os menos pressão na ferida.
Não vai haver mais refúgios e depois disso não deve haver mais nada.
Não vai haver mais refúgios e depois disso não deve haver mais nada.
Friday, July 09, 2010
Thursday, July 08, 2010
fugir!
Dá a fuga dá.
Atravessa a rua, que seja, e vais ver se não podias correr até ser de dia sem teres fugido de NADINHA. mata o bicho, corre como quem corre pela vida! que é como quem corre só por correr. corre a corrida e vais ver!
Atravessa a rua, que seja, e vais ver se não podias correr até ser de dia sem teres fugido de NADINHA. mata o bicho, corre como quem corre pela vida! que é como quem corre só por correr. corre a corrida e vais ver!
Bem-vindos aqui.
Bem-vindos aqui.
Apresento-vos um não-lugar. Um espaço tão cheio de tanta gente, e tão assustadoramente solitário e de solitários...
Bem-vindos aqui.
Apresento-vos a descoberta de que a índole da globalização dos lugares fez com que já só existissem não-lugares.
Apresento-vos a solidão.
Uma solidão que não é a daqueles que foram deixados, ficando de fora daquilo que lhes sustentava o sentido de ser. Apresento-vos a solidão daqueles que se aperceberam que nunca terão oportunidade de serem deixados, por lhes ser inevitável a impossibilidade de alguma vez pertencerem a coisa alguma.
Bem-vindos aqui.
Aqui podem pertencer, finalmente.
Apresento-vos o lugar daqueles que não pertecem a lado nenhum.
Bem-vindos aqui, ao lugar dos desistentes que na esperança de que o vazio de cada um deles se junte ao vazio do outro e crie um buraco negro, continuam diariamente a sua rotina solitária, não vendo nunca no outro a esperança da relação, mas sempre, na inevitável manipulação que os construiu como são, a profunda imutabilidade da perda do sentido do ser.
Aqui é aqui, e aí, e ali, e em todo o lado onde estou.
Apresento-vos o eu que não pertence a lado nenhum.
A fraude, o eu e o nós que deambula pela vida assente numa estrutura tão vazia que quase já nem doi.
Apresento-vos um não-lugar. Um espaço tão cheio de tanta gente, e tão assustadoramente solitário e de solitários...
Bem-vindos aqui.
Apresento-vos a descoberta de que a índole da globalização dos lugares fez com que já só existissem não-lugares.
Apresento-vos a solidão.
Uma solidão que não é a daqueles que foram deixados, ficando de fora daquilo que lhes sustentava o sentido de ser. Apresento-vos a solidão daqueles que se aperceberam que nunca terão oportunidade de serem deixados, por lhes ser inevitável a impossibilidade de alguma vez pertencerem a coisa alguma.
Bem-vindos aqui.
Aqui podem pertencer, finalmente.
Apresento-vos o lugar daqueles que não pertecem a lado nenhum.
Bem-vindos aqui, ao lugar dos desistentes que na esperança de que o vazio de cada um deles se junte ao vazio do outro e crie um buraco negro, continuam diariamente a sua rotina solitária, não vendo nunca no outro a esperança da relação, mas sempre, na inevitável manipulação que os construiu como são, a profunda imutabilidade da perda do sentido do ser.
Aqui é aqui, e aí, e ali, e em todo o lado onde estou.
Apresento-vos o eu que não pertence a lado nenhum.
A fraude, o eu e o nós que deambula pela vida assente numa estrutura tão vazia que quase já nem doi.
Sunday, July 04, 2010
Sunday, June 27, 2010
A noite, no seu máximo poder libertador, que não vou contar os sonhos, está a uma janela de distância.
Acho que devíamos sair esta noite, mas não ir sair.
Devíamos sair e passear pelos caminhos que se descolam das identidades que o dia lhes dá... Devíamos ir ver o reflexo das estrelas nos rios, porque não interessa que seja uma coisa foleira, se é uma coisa bonita. Também nos devíamos deitar num jardim público, que não ia ter ninguém, e falar e chorar mágoas, e rir, e escrever isso tudo nas paredes, que na manhã seguinte iriam, com uma réstia de esperança não-utópica, fazer, pelo menos, desviar os olhos dos corpos rotineiros que ficam em casa todas as noite.
A uma janela de distância está a brisa com que quero ir ser. Está uma coisa qualquer sem fronteiras que é esquematizada e limitada pelos convencionalismos que o dia-a-dia lhe impõe... Está a oportunidade de experimentar a liberdade, que até podemos ir nus... Está a oportunidade de esperar que alguém recolha vestigios de nós, e que saia nu numa noite seguinte, para que alguém, um dia, saia nu de manhã.
Acho que devíamos sair esta noite, mas não ir sair.
Devíamos sair e passear pelos caminhos que se descolam das identidades que o dia lhes dá... Devíamos ir ver o reflexo das estrelas nos rios, porque não interessa que seja uma coisa foleira, se é uma coisa bonita. Também nos devíamos deitar num jardim público, que não ia ter ninguém, e falar e chorar mágoas, e rir, e escrever isso tudo nas paredes, que na manhã seguinte iriam, com uma réstia de esperança não-utópica, fazer, pelo menos, desviar os olhos dos corpos rotineiros que ficam em casa todas as noite.
A uma janela de distância está a brisa com que quero ir ser. Está uma coisa qualquer sem fronteiras que é esquematizada e limitada pelos convencionalismos que o dia-a-dia lhe impõe... Está a oportunidade de experimentar a liberdade, que até podemos ir nus... Está a oportunidade de esperar que alguém recolha vestigios de nós, e que saia nu numa noite seguinte, para que alguém, um dia, saia nu de manhã.
Thursday, June 24, 2010
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