Friday, June 15, 2012
É do mar que corre e do vento que passa...
Mergulho e nado, finjo acompanhar com movimentos a direcção da corrente.
É de serem do momento e da passagem e de mudarem a vida das coisas no instante em que são.
É de serem da hora, corajosos, ou só mar e vento, de identidades livres. Para mim corajosos... e só o acha quem não consegue ser livre.
Eu mergulho e nado, num dia normal, e finjo acompanhar com movimentos desinteressados a direcção da corrente.
(Em consciente envergonhada segurança) dou sempre uma braçada mais forte do que a do outros, que nadam por ali, no dia normal, e deixo que ela me leve, e forço a que me leve mais depressa do que aos outros, e... Mas.
Mas depois saio do mar.
Longe da toalha, inutilmente longe da toalha, saio do mar e fico com frio, com areia, e com o cabelo molhado à frente dos olhos, porque o vento está na direcção contrária e nunca deixa de passar.
Atrás de mim o mar corre com ele, e eu tentei, mas vou a procurar a toalha.
E numa noite, uma vida depois, numa noite que podia bem ter sido uma noite qualquer, uma vida depois pareceu um segundo depois.
Estava calor e uma brisa pequena, e entre gentes de sempre e gentes de nunca, entre copos e conversas, também velhas e novas, só queria pedir-lhe que esquecesse que se tinha passado quase uma vida desde o último segundo em que tinham sido tudo o que, de repente, voltava a querer que fossem.
Uma noite, qualquer, em que talvez o seu riso se tivesse feito ouvir mais, percebeu que uma vida depois nada tinha mudado... Tão fraca, tão fácil, tão... Quanto real quanto alguma coisa podia ser.
Nessa noite bateu forte, forte, forte como dantes, e explodiu como o oásis de quem tem sede. BAM, tudo tão forte, tão claro, tão pouco racional, tão simples e fácil e leva-me tudo, que eu deixo...
Os olhos viam como dantes, o corpo queria como dantes, e nessa noite, por entre gentes e conversas, um último copo cheio, e pediu-lhe que esquecesse e que voltasse, e que amasse, ou que fingisse. E que sentissem raiva e que se beijassem e que os corpos lutassem, mas a sério, com força. Que depois de pontapés se abraçassem, que se esgotassem e esvaziassem e que no fim não conseguissem sentir.
Uma noite, uma vida depois, pediu-lhe que voltasse e que não se importasse, e que se emprestasse se não quisesse entrar, porque precisava de esvaziar o que afinal nunca tinha ido embora. E que no dia seguinte a essa noite, "partisse para nunca mais voltar", porque é de mais.
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