Friday, August 27, 2010

Nós, as pessoas, e as coisas à nossa volta. Aqueles reflexos na água, dos nossos risos, e a cor deles no luar. Os reflexos da água são tanto como somos, que o real é tão surreal que já não interessa mais do que parece... Que já não interessa pensá-lo, tentar tocar-lhe e explicá-lo, por não ser mais do que um ténue roçar, um limbo, um pairar frágil... Não lhe quero tocar, que não o quero perder...
Quero falar para sempre, na metáfora do que o diálogo pode ser, e descobrir como se abre a porta que o torna possível neste real sujo e cinzento, que se mede e define e em que se toca, sem se sentir nada e sem que se parta.
Quero falar para sempre contigo, e com essas pessoas como tu, que andam aqui como quem anda ali... Ou que são dali e aprenderam que o aqui não existe. Dá-me a mão e ajuda-me a saltar para onde o aqui já está com os nossos risos no reflexo do rio, na luz do luar.
Tu és daí e o mundo é todo teu sem teres que ter nada mais do que esse poder verdadeiro de quereres ser de todo o lado e de toda a gente, sem te prenderes a lado nenhum e a nenhuma pessoa de qualquer outra forma que não a de existires nessa tua natureza, num sítio certo, num momento certo.
E dás-te quando és livremente inalcançável.