Como pode não desaparecer?
O mundo continua, e as vidas dos outros continuam. A tua continua em stand by. À espera que volte o que nunca deixaste de querer que voltasse, ainda que saibas impossível voltar como gostarias que voltasse, blá blá blá, blá blá blá, blá blá.
Como pode?
Tem de haver alguma forma, que queres que a vida continue.
É que quando quase te conformas e levantas o primeiro pé para o primeiro passo... BAM reaparece, ou lembra-te que nunca desaparece. É que pode acontecer tudo e tudo e tudo, e "não, não, não, nunca mais, jamais, não, nunca, nunca mais!", que basta aparecer na sua máxima simplicidade e é tão BAM. Que frágil conseguiste tornar-te.
Odeias e vais esquecer e já não gostas, e já te irrita, e mete-te nojo. Aliás, até já só te parece normal, normal, normal. "Indiferente", é o que dizes. Mas quando olha, ou quando ri, ou só sorri, quando passa e quando passa e olha, e quando passa e não olha, quando finge não olhar... Cai tudo outra vez, pela milésima vez. Cai tudo, rasga o pano, a crosta da ferida. Puta de ferida, infinita. Nunca vai passar. Sorri e cai-te tudo... Dás-te como quem nunca sofreu por se ter dado. Dás tudo e tudo de ti... E assim, és o paradigma de todas as pessoas mais fortes do mundo, a quem o amor transformou todas as forças em potências de vulnerabilidade, e és a fragilidade de Sísifo no cimo do monte, na pedra que cai mais uma vez, para que ele volte a carregá-la monte acima, sabendo que vai novamente cair, para que volte a ir buscá-la, para que caia uma outra vez, de um para sempre inevitável... E ele é bem mais musculado do que tu!
Porcaria de ferida! Parece sempre que já está quase curada... Não é justo que dê tanto trabalho a curar e tão pouco a deitar tudo a perder! Era fixe.
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