Thursday, July 08, 2010

Bem-vindos aqui.

Bem-vindos aqui.
Apresento-vos um não-lugar. Um espaço tão cheio de tanta gente, e tão assustadoramente solitário e de solitários...
Bem-vindos aqui.
Apresento-vos a descoberta de que a índole da globalização dos lugares fez com que já só existissem não-lugares.
Apresento-vos a solidão.
Uma solidão que não é a daqueles que foram deixados, ficando de fora daquilo que lhes sustentava o sentido de ser. Apresento-vos a solidão daqueles que se aperceberam que nunca terão oportunidade de serem deixados, por lhes ser inevitável a impossibilidade de alguma vez pertencerem a coisa alguma.
Bem-vindos aqui.
Aqui podem pertencer, finalmente.
Apresento-vos o lugar daqueles que não pertecem a lado nenhum.
Bem-vindos aqui, ao lugar dos desistentes que na esperança de que o vazio de cada um deles se junte ao vazio do outro e crie um buraco negro, continuam diariamente a sua rotina solitária, não vendo nunca no outro a esperança da relação, mas sempre, na inevitável manipulação que os construiu como são, a profunda imutabilidade da perda do sentido do ser.
Aqui é aqui, e aí, e ali, e em todo o lado onde estou.
Apresento-vos o eu que não pertence a lado nenhum.
A fraude, o eu e o nós que deambula pela vida assente numa estrutura tão vazia que quase já nem doi.

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