Wednesday, July 14, 2010

Deve ser este o ponto de partida do fim

Escrever já não vai servir de nada, pintar já não vai servir de nada, correr já não vai servir de nada, gritar já não vai servir de nada. Não vai haver mais refúgios, mais capas, mas camadas, mais sal e mais pimenta. Vamos ter de engolir em seco, de mastigar a cru, de sentir a dor cuja intensidade não muda com mais os menos pressão na ferida.
Não vai haver mais refúgios e depois disso não deve haver mais nada.

Friday, July 09, 2010

Hoje não acho ridículo sentir a necessidade do outro numa espécie de esperança de salvação, no paradoxo de que uma dependência será libertadora.
Não é que não lhe quisesse bem.
Queria-lhe, até, muito bem... Todo o bem do mundo.
Só que não deixava de sentir um nó na garganta quando a via ter momentos de única felicidade ou o que quer que fosse de bom, em que não tinha estado presente... Sabendo que provavelmente não voltaria a estar.

Thursday, July 08, 2010

fugir!

Dá a fuga dá.
Atravessa a rua, que seja, e vais ver se não podias correr até ser de dia sem teres fugido de NADINHA. mata o bicho, corre como quem corre pela vida! que é como quem corre só por correr. corre a corrida e vais ver!

Bem-vindos aqui.

Bem-vindos aqui.
Apresento-vos um não-lugar. Um espaço tão cheio de tanta gente, e tão assustadoramente solitário e de solitários...
Bem-vindos aqui.
Apresento-vos a descoberta de que a índole da globalização dos lugares fez com que já só existissem não-lugares.
Apresento-vos a solidão.
Uma solidão que não é a daqueles que foram deixados, ficando de fora daquilo que lhes sustentava o sentido de ser. Apresento-vos a solidão daqueles que se aperceberam que nunca terão oportunidade de serem deixados, por lhes ser inevitável a impossibilidade de alguma vez pertencerem a coisa alguma.
Bem-vindos aqui.
Aqui podem pertencer, finalmente.
Apresento-vos o lugar daqueles que não pertecem a lado nenhum.
Bem-vindos aqui, ao lugar dos desistentes que na esperança de que o vazio de cada um deles se junte ao vazio do outro e crie um buraco negro, continuam diariamente a sua rotina solitária, não vendo nunca no outro a esperança da relação, mas sempre, na inevitável manipulação que os construiu como são, a profunda imutabilidade da perda do sentido do ser.
Aqui é aqui, e aí, e ali, e em todo o lado onde estou.
Apresento-vos o eu que não pertence a lado nenhum.
A fraude, o eu e o nós que deambula pela vida assente numa estrutura tão vazia que quase já nem doi.
Queria chorar e não sabia porquê.


Era a sensação de não pertencer a lugar nenhum sem nenhum motivo em especial. Porque os motivos especiais indicam que se pertence a alguma coisa.

Sunday, July 04, 2010