Como pode não desaparecer?
O mundo continua, e as vidas dos outros continuam. A tua continua em stand by. À espera que volte o que nunca deixaste de querer que voltasse, ainda que saibas impossível voltar como gostarias que voltasse, blá blá blá, blá blá blá, blá blá.
Como pode?
Tem de haver alguma forma, que queres que a vida continue.
É que quando quase te conformas e levantas o primeiro pé para o primeiro passo... BAM reaparece, ou lembra-te que nunca desaparece. É que pode acontecer tudo e tudo e tudo, e "não, não, não, nunca mais, jamais, não, nunca, nunca mais!", que basta aparecer na sua máxima simplicidade e é tão BAM. Que frágil conseguiste tornar-te.
Odeias e vais esquecer e já não gostas, e já te irrita, e mete-te nojo. Aliás, até já só te parece normal, normal, normal. "Indiferente", é o que dizes. Mas quando olha, ou quando ri, ou só sorri, quando passa e quando passa e olha, e quando passa e não olha, quando finge não olhar... Cai tudo outra vez, pela milésima vez. Cai tudo, rasga o pano, a crosta da ferida. Puta de ferida, infinita. Nunca vai passar. Sorri e cai-te tudo... Dás-te como quem nunca sofreu por se ter dado. Dás tudo e tudo de ti... E assim, és o paradigma de todas as pessoas mais fortes do mundo, a quem o amor transformou todas as forças em potências de vulnerabilidade, e és a fragilidade de Sísifo no cimo do monte, na pedra que cai mais uma vez, para que ele volte a carregá-la monte acima, sabendo que vai novamente cair, para que volte a ir buscá-la, para que caia uma outra vez, de um para sempre inevitável... E ele é bem mais musculado do que tu!
Porcaria de ferida! Parece sempre que já está quase curada... Não é justo que dê tanto trabalho a curar e tão pouco a deitar tudo a perder! Era fixe.
Monday, January 31, 2011
Wednesday, January 19, 2011
Não consegues pensar porque não vais assim como quem anda pela rua ou pela praia com os pés no mar, porque vais como quem anda na areia a pensar que lhe vão entrar três grãos para o meio dos dedos.
Tira os sapatos, e as meias, e a roupa, mas se queres faz.
Faz qualquer coisa, de sentido, sem sentido, com sentidos inerentes, sem sentido, que se foda. Sentido és tu em mim e areia no pé. E palavras desconexas que quero aprender que não são (palavras ou palavras desconexas, já escolho). São sons e significados e perdem-se sempre bocados na faca do pão. Barra/barra, a barra da ilha, molha os pés, na barra, barra as palavras no pão e perde bocados na faca, come o pão e lava a faca... A palavra não ficou mais fraca.
Transformou-se tudo o que já não era mais do que a transformação de alguma coisa que tinha sido tudo o que não tinha sido mais do que a transformação de alguma outra coisa, que te diz que o big bang não interessa para nada na tua forma de compreender o mundo se o Lavoisier chegou à tua beira com um saco de gomas, e tu comeste as gomas e fizeste cocó em forma de ursinhos.
Limpa limpa limpa tudo, devolve-te a ti, dá, dá-te, a ti, e a quem for, dá como queres, dá tudo, dá não te quereres dar! Dou-te não te querer AMAR, pega, para ti. Limpa, então transforma... Qualquer coisa... Os gri-gris dos grilinhos aos nossos ouvidos são amplificados e esticados, pega, agora és pequenino, cheio de gigantes simpáticos por todos os lados. Ui que medo... É o que é e o que não é no que é e no que não é, é o que for, então segue, só, que é.
Limpa limpa limpa tudo, devolve-te a ti, dá, dá-te, a ti, e a quem for, dá como queres, dá tudo, dá não te quereres dar! Dou-te não te querer AMAR, pega, para ti. Limpa, então transforma... Qualquer coisa... Os gri-gris dos grilinhos aos nossos ouvidos são amplificados e esticados, pega, agora és pequenino, cheio de gigantes simpáticos por todos os lados. Ui que medo... É o que é e o que não é no que é e no que não é, é o que for, então segue, só, que é.
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