Tuesday, November 24, 2009

Obrigada, Pessoa, por teres existido.

Assim sei que alguém teria compreendido.



Enquanto não me encontro em nenhum caco de mim, encontro-me uma certa essência quando cada um deles chora ao som desta música na aceitação do inevitável. Mas não é um choro febril, nem desesperado.
É um choro calmo, de fim de filme, e o nó na garganta já desapareceu.

Quero dar-me, mas não sei como.
Não sei quem sou, mas acho que nunca vou saber. E o mais perto a que consigo chegar de qualquer verdade, é que talvez seja isso a única coisa concreta que sei de mim.

Qual é o todo em mim? A base do que sou?
Só me vejo fora da consciência que pensa aqui dentro.

Friday, November 20, 2009

"Todo amor que houver nessa vida"

Haha haverá melhor início de música do que:
"eu quero a sorte de um amor tranquilo/com sabor de fruta mordida/nós na batida, no embalo da rede/matando a sede na saliva", num groove com sotaque brasileiro e "sabor de fruta mordida?" é genial!
Haver há, mas aqui e agora é o melhor início de música de sempre.

Monday, November 16, 2009

"Está um frio..."
Mas não do tipo "'EI MEU, TÁ UM FRIO!!". Nesses, mal se acaba de se referir o facto, aperta-se mais o casaco, as maos escondem-se nos bolsos ou fecham-se uma na outra à espera do calor mútuo e do vapor da boca, e apressa-se o passo para se chegar bem rápido à lareira e ao chocolate quente. Esse é o frio que nos faz gostar do Inverno.
Hoje está um frio que nos congela tudo. Está um frio que nos deixa imóveis porque é demasiado forte, escusamos de ir buscar os casacos. Está um frio que se apoderou de toda a gente e que faz, por isso, com que toda a gente reaja com apatia aos "Está um frio", que já ninguém se esforça por fazer ouvir mais do que a um qualquer outro som destructivo.
Para mim hoje ainda é ontem, ou ontem é hoje, não dormi na noite passada... não durmo há não sei quantas horas, mas porque não tenho sono. só frio. Um frio tão grande que mesmo que pudesse ser outra coisa qualquer, era frio. Era melhor dormir esta noite, mas preciso de uma picareta, que tou aqui um bocado...
Pessoal, alguém?
Eei...!
Azar, também pra quê que vou pra cama se o que tenho é frio e se sei que por mais cobertores que use ele não se vai embora.
Vou ficar aqui, quietinha, com um frio de morte, numa meditação insconsciente que o mantém abstracto, embora presente, inevitavelmete e para sempre, como se me tratasse de um soldado a quem calhou passar a noite em vigia, sozinho. É claro que esta noite ninguém vai atacar, mas o que pode ele fazer?... Tem, inevitavelmente de ir procurando inovar, de posição desconfortável, em posição desconfortável, para o tempo passar sem que morra de frio.
Ah, e claro que aquela noite dura para sempre.

(As coisas não têm de ter sentido)

Thursday, November 12, 2009

Está tudo preso

Está tudo tão preso. E tudo preso como tudo... Acho que doi; mas não como tudo, se não tinha a certeza... Doi constantemente, mas não como tudo porque, não sei como, a dor aguda que devia sentir é apaziguada por um maldito insconsciente sentimento de conformismo ou de aceitação da fatalidade do... Disto. Disto: Não sinto.
E por isso o que quero mesmo é dor aguda. Por favor, quero que doa muito... Quero ter de pontapear portas e de socar paredes de tanto que doi. Quero sentir, troquem-me as pilhas que eu pago.
Quem me deu um analgésico para a vida se eu não pedi nada?
Está tudo preso, mas não sei onde, se calhar numa esquina ou num caixote, ou numa fracção de infinito que nunca encontrarei para poder sequer tentar devolver-me à liberdade.
É isso, queria devolver-me à liberdade. É que eu já andei lá... No tempo em que fazia coisas e em que corria, andava, e desfilava num rebolar ridículo, se quisesse. Não deambulava. Agora deambulo, só deambulo por aí, enquanto ando para o carro, enquanto corro para o autocarro, enquanto engano todos com as demonstrações mecanizadas de emoções que se tornaram parte da rotina. (Não me posso esquecer dos post-its para amanhã!)
O que é que se passa com as coisas que já não provocam nada? Por favor, quero sentir um valente estalo, um beijo violento, um orgasmo que não traga a sensação de fingido a um grito verdadeiro... Um frio de morte também serve, que o Natal é já para o mês que vem, e eu sentia-o. Quero sentir a música e deixar de bater o pé ao ritmo das lembranças daquilo que é "o que se faz".
Será que me desapaixonei da vivência máxima do sem sentido?
Quero devolver-me à liberdade. Lá, eu aceitava a vivência no rebentar de essências, vivia-as como balões que nos rebentam na cara. Muitos, seguidos.
E o sem sentido não interessava nada se para mim, sei lá, me bastava cheiro do teu shampô.

Sinto-me a sombra daquilo que julgava ser e tenho medo de não conseguir encontrar a esquina, ou o caixote... Haha, não é nada disso. Sei bem que aquilo de que tenho medo é de não haver uma esquina ou um caixote, por isso finjo preocupar-me com a sua brincadeira de esconde-esconde porque para se esconderem têm de existir, e isso é o que interessa, que estejam onde estiverem, estejam...

Acho que não está tudo preso, desapareceu foi tudo.
Vai-se a ver e eu, simplesmente, fui-me.

Monday, November 02, 2009

Procrastinação implacável

Devia ter feito coisas há semanas...

Devia estar a fazer essas coisas...

Essas coisas são para amanhã.

O dia tem 24 horas, e eu aqui.



O verdadeiro procrastinador sabe que o tempo se está a esgotar, mas ainda assim mantém um quase inconsciente sentimento de que enquanto há tempo, dá tempo. E não se importa de parar para lanchar no sofá e de ver uma série até ao fim.