Saturday, May 29, 2010

ainda que qualquer frase que use a palavra 'vida', 'viver', e familiares, esteja imadiatamente condenada ao fracasso pelo crime de piroseira.

não tenho outro vocabulário metafísico
querer, ter
ter, usar
usar, gastar
gastar, trair
trair, perder,
perder, querer
querer, não ter
não ter, viver

quero viver.


E reparem... Esta simples afirmação subsiste ciclicamente de acordo com o artigo acima referido. É autosuficiente, e é o que basta para valer como "porque" ao eterno "porquê", quando não quiserem procurar mais.

Sunday, May 23, 2010

Vou ter sempre um plano B quando a questão és tu.
Não sei se não vai doer nada de nada, mas o que importa é que é analgésico.
E neste caso fica sabendo: um analgésico de TESÃO.
Por isso vê lá... Vê lá se não abusas.
Pelo menos para breve, enquanto está no prazo.
É quase aliciante que pises o risco.

Thursday, May 20, 2010

bem me queria parecer...

Monday, May 17, 2010

Começo a sentir-me afastada do todo que devia ser.
Sinto-me partes de mim, partes de mim que nem são minhas.
Nada é meu.
Sou a colagem de partes de vários sítios e isso só cria identidade quando misturado, só cria identidade em interrelação.
Sou sempre as mesmas palavras e as mesmas expressões... Palavras e expressões que já ouvi noutros.
Sou a mesma forma automatizada de agir, agora, há pouco, antes disso. Sinto-me uma falta de autenticidade que escolhe acções em modo THE SIMS

Saturday, May 15, 2010

2ª a 6ª, 13:48 - 14:00, 2ª carruagem

Vemo-nos todos os dias.
Não nos falamos, não nos tocamos...
Sorrimos um para o outro, de vez em quando,
mas nunca quando nos vemos fora do contexto em que nos tornamos conhecidos.

É divertido, doze minutos para descobrir e reconhecer,
e assim conhecer. Ir conhecendo...
É divertido sermos conscientes dos nossos papeis, de observador e de observado,
e não nos preocuparmos em esconder essa consciência, sem nunca a denunciarmos.
Estamos expostos e sem vergonha, confortáveis com o silêncio,
saciados com o diálogo mudo não evidenciado.
É o que é e será sempre assim, até um dia em que mudemos de rotina.
Não se quer mais, mas não se quer menos.
Quer-se, assim.

E há tão mais a dizer, de uma coisa tão simples...
Afinal, partilhamos um metro e alimentamos a viagem na curiosidade e interesse que os outros não provocaram em nós. É estranho, mas simples.
Somos quase amigos.
Não há nada de psicopata ou psicótico na forma como sorrimos interiormente quando apanhamos aquele lugar... É realmente simples, ao ponto de ser difícil de explicar.
Quase amigos não... Conhecidos da alma. Parece que nos vemos, em essências.
Mas a simplicidade é impossível de exprimir... Passa as letras e as palavras, que envolvem um esforço e daí deixam de ser puras de simplicidade...
A nossa ligação não se explica com medo de se pisar, calcar, dar uma força ou ideia erradas... é como a ténue linha que separa as nossas rotinas... visitamo-la, sem nunca a pisar, e ela deixa-nos fazer parte da rotina do outro sem nos deixar entrar.

É simples por ser aceite na sua casualidade, sendo porém estranhada a sua falta.
Está e vive do e no quase toque, quase 'olá', quase abraço, quase riso, gozo partilhado... Está na ideia de tudo isso e na ideia de que nada disso seria igual se se perdesse o quase, mas mais uma vez, o quase é o tudo.

Um dia a rotina vai mudar e vai perder-se tudo, e assim o quase que é o tudo.
Mas não importa, é quase inevitável e não vamos atrás de nada, porque tudo sempre foi o que foi acontecendo, livre de qualquer esforço que não o caminhar mais apressado, meio inconsciente, que às vezes reparamos caminhar.
Quer dizer... não se vai perder tudo. Continuamos ligados pelo buraco da despedida não despedida que saberemos mútuo.

Monday, May 10, 2010

mil, duas mil...
cinco mil saudades de não apanhar o autocarro para casa para virmos a pé, a falar pelo caminho...
tive saudades de matar as saudades com uma conversas em que nos deitamos na relva, com chuva, mas de t-shirt e calções, e ainda assim sem frio...

Sunday, May 09, 2010

Um dia vou conseguir fazer arroz perfeito.
I'm done with epic fails.

Devo tratá-lo de forma diferente?
Dizem sempre que o mais simples é o mais eficaz... ainda assim, ou cola ao fundo, ou fica papa. E é só água e sal, sempre foi.

Thursday, May 06, 2010

Hoje é dia de narrativas e diálgos hipotéticos do intelecto antes de adormecer

Wednesday, April 28, 2010

Aqui e agora é o que é. E é que é.

Aqui e agora não preciso de mais nada. Era só abrir a porta e sair, e ir, sempre. As perspectivas e expectativas de tudo são o calor e o frio, os abraços e os arranhões, e as pessoas, e os diálogos, os cheiros e as cores das coisas. Essências. Essências que dão pontapés à rotina de ontem, de hoje, de amanhã... Às preocupações e às obrigações sem sentido, porque o sem sentido que é isto tudo só perde no viver dessa ordem estipulada. Quero viver da partilha e hoje não acredito em utopias, se esta música vale muito mais do que qualquer contra-argumento... e vale. Esta música hoje vale tudo, e é tudo o que vale a pena. Está bom tempo, alguém dê uma festa. E festa é só um nome para uma partilha de essências qualquer. Não é preciso bolo. Alguém dê uma festa para sempre... É só fazerem-me crer que aqui e agora é o que é, então é, e vai ser.
Não quero olhar para o relógio daqui a pouco e pensar que tenho de me ir deitar porque amanhã tenho de acordar, e enquanto isso, passam-se os milhões de essências que me fazem querer deitar fora a minha televisão de não sei quantas polegadas, porque a verdadeira escala do grande não a faz parecer pequena, mas sim uma ridícula inexistência...de uma dimensão de linguagem diferente... Não quero olhar para alguém na rua e seguir caminho com um diálogo hipotético como música de fundo, porque não se fala com estranhos, mesmo que o tornar real desse hipotético diálogo represente um abrir infinito de portas e de caminhos e de possibilidades que nunca vamos conhecer porque decidimos que o calor e o frio, e as pessoas, o risco e os diálogos não se sobrepunham ao código "do ser". Eu queria ser, ser.


Aqui e agora é o que é. E é que é.

O pior é: "E podia ser."

Tuesday, April 27, 2010

Quase que era uma carta de amor!

Como é que pode não soar piroso dizer: "Beija-me já."?
Impossível... Mas beija-me, caralho! Urgente!
Mata-me o interesse de vez, por favor, que estou farta de chegar e procurar por ti, que estou farta de pesar cada frase, cada gesto, cada acção minha na balança do que podes achar... Não gosto de fazer coisas em função de ti, depois sinto-me mal, não pareço eu. Quero-me de volta.
Vamos resolver este negócio agora. Depois fica cocó. Vais à tua vida, vou à minha vida, porque já não vai ter piada ou porque vai ficar estranho, porque os teus defeitos vão tornar-se reais no descobrir, no decifrar do que os fazia parecer não mais do que pequenas peculiaridades do que és... Tenho-me de volta e doi-me um bocadinho de força não te ter, mas tudo bem. Desde que me tenha de volta... Podia mandar tudo para o lixo já, já, já, mas... Mas só quero não te ter depois de ter tido! Urgente. Antes que te afaste com a loucura que não sou, que me fazes ser...

Porquê que às vezes pareces tão perto? Fogo, sai. Ninguém pode estar tão perto e ir embora logo a seguir. Tic-tac, não quero perder mais tempo com... com isto, nem voltar a escrever textos deste género deprimente e piroso. Tu, tu aí, olha um sinal, alerta, atenção, isto é um sinal... Sim, força. TIC-TAC, isto é urgente e está em contagem decrescente. Não queria deixar-te ir sem te ter tido mesmo que só por... Olha, um beijo podia resolver tudo, se calhar, por exemplo... Quero as minhas ideias no sítio... Este limbo entre o platónico e o que podia ser real, não é para mim.

Repara, entende que deitava tudo fora se te pudesse ter agora... Preciso, troco pelo resto.

Friday, April 23, 2010

Hoje tá noite.
Noite de estar de t-shirt e de ir para a rua.
É isso, hoje está noite de rua.
Ou de terraço.

Está noite de pouca gente que é muita gente
E de um jantar que "é a noite".
Está noite de cheirar bem e de inspirar profundamente...
Noite de sentir o apertozinho da euforia daquela simples felicidade,
ou o que é.

Também está noite de instrospecção,
mas na rua, ou no terraço.
De despreocupadas narrativas imaginadas
No prazer da brisa, no calor sobrante de horas passadas...

Gosto da calma desta noite,
Não está noite de NOITE
Era só cerveja e conversas, e música
Uma música de fundo perfeita, qualquer,
Da atmosfera...
Era isso, ou bastava-me o insipirar
sozinha,
das narrativas imaginadas de tudo isso.
O teu abraço também era bom,
E passearmos só, por aí,
ou ali à beira do rio, que tal?

Está noite de querer bem a tudo
E de lembrar histórias de tudo.
Quero dar abraços e se calhar ir correr até me cansar.

Não sei se já disse, mas o teu abraço também era bom
Se calhar até está noite de sexo.

Tuesday, November 24, 2009

Obrigada, Pessoa, por teres existido.

Assim sei que alguém teria compreendido.



Enquanto não me encontro em nenhum caco de mim, encontro-me uma certa essência quando cada um deles chora ao som desta música na aceitação do inevitável. Mas não é um choro febril, nem desesperado.
É um choro calmo, de fim de filme, e o nó na garganta já desapareceu.

Quero dar-me, mas não sei como.
Não sei quem sou, mas acho que nunca vou saber. E o mais perto a que consigo chegar de qualquer verdade, é que talvez seja isso a única coisa concreta que sei de mim.

Qual é o todo em mim? A base do que sou?
Só me vejo fora da consciência que pensa aqui dentro.

Friday, November 20, 2009

"Todo amor que houver nessa vida"

Haha haverá melhor início de música do que:
"eu quero a sorte de um amor tranquilo/com sabor de fruta mordida/nós na batida, no embalo da rede/matando a sede na saliva", num groove com sotaque brasileiro e "sabor de fruta mordida?" é genial!
Haver há, mas aqui e agora é o melhor início de música de sempre.

Monday, November 16, 2009

"Está um frio..."
Mas não do tipo "'EI MEU, TÁ UM FRIO!!". Nesses, mal se acaba de se referir o facto, aperta-se mais o casaco, as maos escondem-se nos bolsos ou fecham-se uma na outra à espera do calor mútuo e do vapor da boca, e apressa-se o passo para se chegar bem rápido à lareira e ao chocolate quente. Esse é o frio que nos faz gostar do Inverno.
Hoje está um frio que nos congela tudo. Está um frio que nos deixa imóveis porque é demasiado forte, escusamos de ir buscar os casacos. Está um frio que se apoderou de toda a gente e que faz, por isso, com que toda a gente reaja com apatia aos "Está um frio", que já ninguém se esforça por fazer ouvir mais do que a um qualquer outro som destructivo.
Para mim hoje ainda é ontem, ou ontem é hoje, não dormi na noite passada... não durmo há não sei quantas horas, mas porque não tenho sono. só frio. Um frio tão grande que mesmo que pudesse ser outra coisa qualquer, era frio. Era melhor dormir esta noite, mas preciso de uma picareta, que tou aqui um bocado...
Pessoal, alguém?
Eei...!
Azar, também pra quê que vou pra cama se o que tenho é frio e se sei que por mais cobertores que use ele não se vai embora.
Vou ficar aqui, quietinha, com um frio de morte, numa meditação insconsciente que o mantém abstracto, embora presente, inevitavelmete e para sempre, como se me tratasse de um soldado a quem calhou passar a noite em vigia, sozinho. É claro que esta noite ninguém vai atacar, mas o que pode ele fazer?... Tem, inevitavelmente de ir procurando inovar, de posição desconfortável, em posição desconfortável, para o tempo passar sem que morra de frio.
Ah, e claro que aquela noite dura para sempre.

(As coisas não têm de ter sentido)

Thursday, November 12, 2009

Está tudo preso

Está tudo tão preso. E tudo preso como tudo... Acho que doi; mas não como tudo, se não tinha a certeza... Doi constantemente, mas não como tudo porque, não sei como, a dor aguda que devia sentir é apaziguada por um maldito insconsciente sentimento de conformismo ou de aceitação da fatalidade do... Disto. Disto: Não sinto.
E por isso o que quero mesmo é dor aguda. Por favor, quero que doa muito... Quero ter de pontapear portas e de socar paredes de tanto que doi. Quero sentir, troquem-me as pilhas que eu pago.
Quem me deu um analgésico para a vida se eu não pedi nada?
Está tudo preso, mas não sei onde, se calhar numa esquina ou num caixote, ou numa fracção de infinito que nunca encontrarei para poder sequer tentar devolver-me à liberdade.
É isso, queria devolver-me à liberdade. É que eu já andei lá... No tempo em que fazia coisas e em que corria, andava, e desfilava num rebolar ridículo, se quisesse. Não deambulava. Agora deambulo, só deambulo por aí, enquanto ando para o carro, enquanto corro para o autocarro, enquanto engano todos com as demonstrações mecanizadas de emoções que se tornaram parte da rotina. (Não me posso esquecer dos post-its para amanhã!)
O que é que se passa com as coisas que já não provocam nada? Por favor, quero sentir um valente estalo, um beijo violento, um orgasmo que não traga a sensação de fingido a um grito verdadeiro... Um frio de morte também serve, que o Natal é já para o mês que vem, e eu sentia-o. Quero sentir a música e deixar de bater o pé ao ritmo das lembranças daquilo que é "o que se faz".
Será que me desapaixonei da vivência máxima do sem sentido?
Quero devolver-me à liberdade. Lá, eu aceitava a vivência no rebentar de essências, vivia-as como balões que nos rebentam na cara. Muitos, seguidos.
E o sem sentido não interessava nada se para mim, sei lá, me bastava cheiro do teu shampô.

Sinto-me a sombra daquilo que julgava ser e tenho medo de não conseguir encontrar a esquina, ou o caixote... Haha, não é nada disso. Sei bem que aquilo de que tenho medo é de não haver uma esquina ou um caixote, por isso finjo preocupar-me com a sua brincadeira de esconde-esconde porque para se esconderem têm de existir, e isso é o que interessa, que estejam onde estiverem, estejam...

Acho que não está tudo preso, desapareceu foi tudo.
Vai-se a ver e eu, simplesmente, fui-me.

Monday, November 02, 2009

Procrastinação implacável

Devia ter feito coisas há semanas...

Devia estar a fazer essas coisas...

Essas coisas são para amanhã.

O dia tem 24 horas, e eu aqui.



O verdadeiro procrastinador sabe que o tempo se está a esgotar, mas ainda assim mantém um quase inconsciente sentimento de que enquanto há tempo, dá tempo. E não se importa de parar para lanchar no sofá e de ver uma série até ao fim.

Tuesday, October 27, 2009

Aposto que estavas no fim da outra carruagem.
Aposto que te perdi na multidão que caminhava mecanicamente apressada no sentido inverso àquele para onde ia a multidão onde eu perdia o meu pensamento na pressa mecanizada dos meus passos.
Também devias ser tu com o jornal à frente da cara no banco de jardim, e tu no elevador que subia quando "chamei" um para o rés-do-chão...
Enquanto era tempo.
Por isso está tudo igual... Tudo igual não, vamos lá ser sensatos... ("Bora lá ser então, manda aí alta sensatez!")
Afinal das oportunidades que perdemos vêm oportunidades que ganhamos, não é? Se bem que eu preferia... tu sabes... "Sentir que a minha vida tinha mudado" pelo nosso feliz acaso. Porque nos tínhamos encontrado tão vulneráveis que as nossas essências se tinham visto para além de nós. Porque tinha sentido que o acaso de um momento era razão suficiente para as coisas serem... Para o ser das coisas. Para mudar tudo, para questionar tudo. Para deitar tudo ao lixo sem deitar nada a perder. One shot baby.

"Man", às vezes sentimos que perdemos o barco que tínhamos de apanhar. Era ali, real, naquele segundo! Vá lá, põe um pé, agora o outro, rápido, não vaciles, sem olhar para trás. Está? Está, 'tás dentro!
Estou fora. E era aquele.
Há outros barcos, mais barcos, e se calhar alguns até vão para o mesmo sítio, mas o caminho nunca é o mesmo... Sabes como é, são como nós... Apanham e perdem certos acasos... Azar, agora é tarde também. Já não somos os mesmos momentos de nós.

Tempo certo, hora certa, éramos certos. One shot baby. You don't get that twice in life.

Faltou-nos a coragem para pôr o outro pé.

Monday, October 26, 2009

Essa bossa com feeling

Quero essa bossa... Essa, de sensualidades sussuradas.. Tão groovy... Quase sambável. Dá-me essa bossa por favor. Tão de tanta gente e tão só nossa.
Tão grande.
Dá-ma que quero trocar de interior, enche-me daquele sorriso eufórico, que está em todo o lado. Ou lá o que é que está em todo o lado... Tu sabes... se inspirares muito de força também sentes. Está lá dentro.
Dá-me essa bossa que ela faz-me sentir que sim. Só assim.
Assim chega, vem, vamos curtir uma bossinha...

Uma bossinha que é o segredo das coisas.

Friday, June 19, 2009

Dissertações acerca de coisas dissertáveis I


Hoje pensei se seria uma fraude.

Hoje pensei que a arte é, mais do que o seu resultado final, mais do que a forma pela qual se apresenta, o processo intelectual, emocional, abstracto que envolve a sua criação a cada momento... o todo que começa na mente e acaba na mente, passando do imaterial ao material em momentos eféremos de abstracção sentida sem consciência, que só esse sentir é real..."

Hoje pensei no sentido das coisas. Nos mesmos problemas existenciais e metafísicos de sempre. Pensei que nada me interessava para além da sua simplicidade, que a complexidade é uma necessidade pois o simples parece aparente. Superficial. Sem sentido.
Voltei a concluir que as coisas são porque sim.
Mas não me importo com isso.

O conformismo quanto ao (não-)sentido da existência não implica um conformismo quanto à forma como vivemos. Pelo contrário. Mostra-nos tudo tão absurdo que EU só quero viver com o rebentar de essências no mais insignificante gesto.

Entre outras coisas.