Vemo-nos todos os dias.
Não nos falamos, não nos tocamos...
Sorrimos um para o outro, de vez em quando,
mas nunca quando nos vemos fora do contexto em que nos tornamos conhecidos.
É divertido, doze minutos para descobrir e reconhecer,
e assim conhecer. Ir conhecendo...
É divertido sermos conscientes dos nossos papeis, de observador e de observado,
e não nos preocuparmos em esconder essa consciência, sem nunca a denunciarmos.
Estamos expostos e sem vergonha, confortáveis com o silêncio,
saciados com o diálogo mudo não evidenciado.
É o que é e será sempre assim, até um dia em que mudemos de rotina.
Não se quer mais, mas não se quer menos.
Quer-se, assim.
E há tão mais a dizer, de uma coisa tão simples...
Afinal, partilhamos um metro e alimentamos a viagem na curiosidade e interesse que os outros não provocaram em nós. É estranho, mas simples.
Somos quase amigos.
Não há nada de psicopata ou psicótico na forma como sorrimos interiormente quando apanhamos aquele lugar... É realmente simples, ao ponto de ser difícil de explicar.
Quase amigos não... Conhecidos da alma. Parece que nos vemos, em essências.
Mas a simplicidade é impossível de exprimir... Passa as letras e as palavras, que envolvem um esforço e daí deixam de ser puras de simplicidade...
A nossa ligação não se explica com medo de se pisar, calcar, dar uma força ou ideia erradas... é como a ténue linha que separa as nossas rotinas... visitamo-la, sem nunca a pisar, e ela deixa-nos fazer parte da rotina do outro sem nos deixar entrar.
É simples por ser aceite na sua casualidade, sendo porém estranhada a sua falta.
Está e vive do e no quase toque, quase 'olá', quase abraço, quase riso, gozo partilhado... Está na ideia de tudo isso e na ideia de que nada disso seria igual se se perdesse o quase, mas mais uma vez, o quase é o tudo.
Um dia a rotina vai mudar e vai perder-se tudo, e assim o quase que é o tudo.
Mas não importa, é quase inevitável e não vamos atrás de nada, porque tudo sempre foi o que foi acontecendo, livre de qualquer esforço que não o caminhar mais apressado, meio inconsciente, que às vezes reparamos caminhar.
Quer dizer... não se vai perder tudo. Continuamos ligados pelo buraco da despedida não despedida que saberemos mútuo.
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