Monday, June 15, 2015

A rapariga queria ir embora... Por muito, muito, muito, muito, muito tempo.
E se fosse logo naquele momento melhor!

Queria estar longe dali até não querer voltar pelo que a fazia querer ir.

A rapariga queria ir embora sem levar nada porque assim podia ir a correr, mesmo leve.

Friday, April 17, 2015

Que inércia. Falta sol, vontade de criar, vontade de criar na chuva... Sol na chuva, sol da chuva, vontade de fazer e de viver, e de ir e de correr. Apostar tudo sem medo de perder.
Que mau.
Nem tem piada. O dia passa e passa o outro e passa tudo com o dia, mas eu não passo por nada a não ser pelos dias só como quem passa.
Não há nada à espera.

Friday, June 15, 2012

É do mar que corre e do vento que passa... Mergulho e nado, finjo acompanhar com movimentos a direcção da corrente. É de serem do momento e da passagem e de mudarem a vida das coisas no instante em que são. É de serem da hora, corajosos, ou só mar e vento, de identidades livres. Para mim corajosos... e só o acha quem não consegue ser livre. Eu mergulho e nado, num dia normal, e finjo acompanhar com movimentos desinteressados a direcção da corrente. (Em consciente envergonhada segurança) dou sempre uma braçada mais forte do que a do outros, que nadam por ali, no dia normal, e deixo que ela me leve, e forço a que me leve mais depressa do que aos outros, e... Mas. Mas depois saio do mar. Longe da toalha, inutilmente longe da toalha, saio do mar e fico com frio, com areia, e com o cabelo molhado à frente dos olhos, porque o vento está na direcção contrária e nunca deixa de passar. Atrás de mim o mar corre com ele, e eu tentei, mas vou a procurar a toalha.
E numa noite, uma vida depois, numa noite que podia bem ter sido uma noite qualquer, uma vida depois pareceu um segundo depois. Estava calor e uma brisa pequena, e entre gentes de sempre e gentes de nunca, entre copos e conversas, também velhas e novas, só queria pedir-lhe que esquecesse que se tinha passado quase uma vida desde o último segundo em que tinham sido tudo o que, de repente, voltava a querer que fossem. Uma noite, qualquer, em que talvez o seu riso se tivesse feito ouvir mais, percebeu que uma vida depois nada tinha mudado... Tão fraca, tão fácil, tão... Quanto real quanto alguma coisa podia ser. Nessa noite bateu forte, forte, forte como dantes, e explodiu como o oásis de quem tem sede. BAM, tudo tão forte, tão claro, tão pouco racional, tão simples e fácil e leva-me tudo, que eu deixo... Os olhos viam como dantes, o corpo queria como dantes, e nessa noite, por entre gentes e conversas, um último copo cheio, e pediu-lhe que esquecesse e que voltasse, e que amasse, ou que fingisse. E que sentissem raiva e que se beijassem e que os corpos lutassem, mas a sério, com força. Que depois de pontapés se abraçassem, que se esgotassem e esvaziassem e que no fim não conseguissem sentir. Uma noite, uma vida depois, pediu-lhe que voltasse e que não se importasse, e que se emprestasse se não quisesse entrar, porque precisava de esvaziar o que afinal nunca tinha ido embora. E que no dia seguinte a essa noite, "partisse para nunca mais voltar", porque é de mais.

Wednesday, May 18, 2011

A partir de um momento que se constrói de todos os momentos da vida, fica tudo claro, mesmo que essa clareza seja de uma mutabilidade infinita. Uma variável randomizada infinita. Eu volto sempre, que é das raízes.

Monday, April 25, 2011

nunca tudo em coisa alguma... pouco mais de nada em quase tudo.
e ricardo reis dá voltas na tumba...

para ser grande sê inteiro:
para ser grande sê inteiro da tua habilidade de não conseguires sê-lo em absolutamente nada.

bla bla bla, bla bla bla

e em nenhum lago a lua chega a brilhar.

Saturday, March 05, 2011

fraco para mim

Monday, February 21, 2011

ó pá, as caixinhas assassinas da natureza!!!
e assim é.

Monday, January 31, 2011

Como pode não desaparecer? O mundo continua, e as vidas dos outros continuam. A tua continua em stand by. À espera que volte o que nunca deixaste de querer que voltasse, ainda que saibas impossível voltar como gostarias que voltasse, blá blá blá, blá blá blá, blá blá.
Como pode? Tem de haver alguma forma, que queres que a vida continue. É que quando quase te conformas e levantas o primeiro pé para o primeiro passo... BAM reaparece, ou lembra-te que nunca desaparece. É que pode acontecer tudo e tudo e tudo, e "não, não, não, nunca mais, jamais, não, nunca, nunca mais!", que basta aparecer na sua máxima simplicidade e é tão BAM. Que frágil conseguiste tornar-te.
Odeias e vais esquecer e já não gostas, e já te irrita, e mete-te nojo. Aliás, até já só te parece normal, normal, normal. "Indiferente", é o que dizes. Mas quando olha, ou quando ri, ou só sorri, quando passa e quando passa e olha, e quando passa e não olha, quando finge não olhar... Cai tudo outra vez, pela milésima vez. Cai tudo, rasga o pano, a crosta da ferida. Puta de ferida, infinita. Nunca vai passar. Sorri e cai-te tudo... Dás-te como quem nunca sofreu por se ter dado. Dás tudo e tudo de ti... E assim, és o paradigma de todas as pessoas mais fortes do mundo, a quem o amor transformou todas as forças em potências de vulnerabilidade, e és a fragilidade de Sísifo no cimo do monte, na pedra que cai mais uma vez, para que ele volte a carregá-la monte acima, sabendo que vai novamente cair, para que volte a ir buscá-la, para que caia uma outra vez, de um para sempre inevitável... E ele é bem mais musculado do que tu! Porcaria de ferida! Parece sempre que já está quase curada... Não é justo que dê tanto trabalho a curar e tão pouco a deitar tudo a perder! Era fixe.

Wednesday, January 19, 2011

Não consegues pensar porque não vais assim como quem anda pela rua ou pela praia com os pés no mar, porque vais como quem anda na areia a pensar que lhe vão entrar três grãos para o meio dos dedos. Tira os sapatos, e as meias, e a roupa, mas se queres faz. Faz qualquer coisa, de sentido, sem sentido, com sentidos inerentes, sem sentido, que se foda. Sentido és tu em mim e areia no pé. E palavras desconexas que quero aprender que não são (palavras ou palavras desconexas, já escolho). São sons e significados e perdem-se sempre bocados na faca do pão. Barra/barra, a barra da ilha, molha os pés, na barra, barra as palavras no pão e perde bocados na faca, come o pão e lava a faca... A palavra não ficou mais fraca. Transformou-se tudo o que já não era mais do que a transformação de alguma coisa que tinha sido tudo o que não tinha sido mais do que a transformação de alguma outra coisa, que te diz que o big bang não interessa para nada na tua forma de compreender o mundo se o Lavoisier chegou à tua beira com um saco de gomas, e tu comeste as gomas e fizeste cocó em forma de ursinhos.
Limpa limpa limpa tudo, devolve-te a ti, dá, dá-te, a ti, e a quem for, dá como queres, dá tudo, dá não te quereres dar! Dou-te não te querer AMAR, pega, para ti. Limpa, então transforma... Qualquer coisa... Os gri-gris dos grilinhos aos nossos ouvidos são amplificados e esticados, pega, agora és pequenino, cheio de gigantes simpáticos por todos os lados. Ui que medo... É o que é e o que não é no que é e no que não é, é o que for, então segue, só, que é.

Sunday, January 02, 2011

estava tão, tão, tão, tão forte, no coração, (!) e doía tanto, tanto, tanto, por toda a parte, que pediu para se desapaixonar para sempre, quando podia ter pedido que tudo voltasse a ser como dantes.

Tuesday, December 14, 2010

para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltar para nunca mais voltares para nunca mais voltares para nunca mais voltares para nunca mais voltares para nunca mais voltar para nunca mais voltares
voltas sempre voltas sempre voltas sempre voltas sempre voltas sempre voltas sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre nunca voltas volto sempre nunca voltas nunca ficaste nunca voltas nunca ficaste nunca ficaste nunca ficaste nunca entraste nunca voltas nunca voltas nunca entraste nunca voltas nunca entraste nunca entraste nunca entraste nunca entraste volto sempre nunca voltas volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre volto sempre nunca entraste nunca foste nunca entraste nunca foste nunca entraste nunca foste nunca entraste nunca foste nunca foste nunca foste nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca fomos nunca entraste nunca ficaste nunca ficaste nunca saiste nunca fomos nunca voltas e eu volto sempre para nunca mais voltar para nunca mais voltares e eu volto sempre

Thursday, December 09, 2010

estou a trepar, apagar

Para nunca mais te ver


avenida melancólica, de uma melancolia insuportavelmente pesada.

Valia a pena ter ido para nunca mais te ver.

a avenida melancólica, que agora atravesso todos os dias,
a melancolia tão insuportavelmente pesada que me arrasta e que me faz arrastar-me no fim de cada dia,
a desconexão de quem não dorme há dias e de quem já se esqueceu do que é ser.

Quem, eu?

não me tivesse habituado a estar de rastos de viver. Não me reconheço no que sou... já nem sou.
E não sei quem és, quem foste
fui só eu que fui o que foste?

devia ter-te apagado. Estranho-te em ti, em mim, nos outros e no mundo à nossa volta.

Podes ficar com tudo o que me tiraste aí em baixo, que não tenho tempo para apanhar os restos.
olá

Tuesday, October 05, 2010

Não quero ir para a cama porque encontrei os melhores cinco segundos de música da minha vida, sendo três deles os melhores de sempre, do mundo, e tenho medo de acordar amanhã e tê-los perdido para sempre. Vivem na efeméride da internet e não há como trazê-los para a vida real, o que ainda os torna, na verdade, mais místicos.
Estou a ficar com sono mas não quero parar de fazer o clique para uma nova repetição... Não quero perdê-los mesmo não me pertencendo, mas não quero, por outro lado, que percam tudo o que envolve não serem de ninguém, e serem de toda a gente, existirem neste momento, como poderem no seguinte desaparecer para sempre... Assim, nada mais justo do que provar que foram, para mim, reais, aqui, onde nada se prova, e onde tudo de mim pode ser nada de mim, e mais palavras sem rosto, com mil rostos, são lançadas à mesma efeméride da genialidade daqueles segundos de música. Que se encontrem lá, numa pureza virtual, de ironias irreconhecidas que as torna puras como nós não somos.
Até amanhã, acabou a música.
É uma boa música, só não digo genial porque coloca a si própria uma fasquia demasiado alta ao começar com aquilo que é hoje, aqui, e agora, o sentido do mundo.

Friday, August 27, 2010

Nós, as pessoas, e as coisas à nossa volta. Aqueles reflexos na água, dos nossos risos, e a cor deles no luar. Os reflexos da água são tanto como somos, que o real é tão surreal que já não interessa mais do que parece... Que já não interessa pensá-lo, tentar tocar-lhe e explicá-lo, por não ser mais do que um ténue roçar, um limbo, um pairar frágil... Não lhe quero tocar, que não o quero perder...
Quero falar para sempre, na metáfora do que o diálogo pode ser, e descobrir como se abre a porta que o torna possível neste real sujo e cinzento, que se mede e define e em que se toca, sem se sentir nada e sem que se parta.
Quero falar para sempre contigo, e com essas pessoas como tu, que andam aqui como quem anda ali... Ou que são dali e aprenderam que o aqui não existe. Dá-me a mão e ajuda-me a saltar para onde o aqui já está com os nossos risos no reflexo do rio, na luz do luar.
Tu és daí e o mundo é todo teu sem teres que ter nada mais do que esse poder verdadeiro de quereres ser de todo o lado e de toda a gente, sem te prenderes a lado nenhum e a nenhuma pessoa de qualquer outra forma que não a de existires nessa tua natureza, num sítio certo, num momento certo.
E dás-te quando és livremente inalcançável.

Wednesday, July 14, 2010

Deve ser este o ponto de partida do fim

Escrever já não vai servir de nada, pintar já não vai servir de nada, correr já não vai servir de nada, gritar já não vai servir de nada. Não vai haver mais refúgios, mais capas, mas camadas, mais sal e mais pimenta. Vamos ter de engolir em seco, de mastigar a cru, de sentir a dor cuja intensidade não muda com mais os menos pressão na ferida.
Não vai haver mais refúgios e depois disso não deve haver mais nada.

Friday, July 09, 2010

Hoje não acho ridículo sentir a necessidade do outro numa espécie de esperança de salvação, no paradoxo de que uma dependência será libertadora.
Não é que não lhe quisesse bem.
Queria-lhe, até, muito bem... Todo o bem do mundo.
Só que não deixava de sentir um nó na garganta quando a via ter momentos de única felicidade ou o que quer que fosse de bom, em que não tinha estado presente... Sabendo que provavelmente não voltaria a estar.