Está tudo tão preso. E tudo preso como tudo... Acho que doi; mas não como tudo, se não tinha a certeza... Doi constantemente, mas não como tudo porque, não sei como, a dor aguda que devia sentir é apaziguada por um maldito insconsciente sentimento de conformismo ou de aceitação da fatalidade do... Disto. Disto: Não sinto.
E por isso o que quero mesmo é dor aguda. Por favor, quero que doa muito... Quero ter de pontapear portas e de socar paredes de tanto que doi. Quero sentir, troquem-me as pilhas que eu pago.
Quem me deu um analgésico para a vida se eu não pedi nada?
Está tudo preso, mas não sei onde, se calhar numa esquina ou num caixote, ou numa fracção de infinito que nunca encontrarei para poder sequer tentar devolver-me à liberdade.
É isso, queria devolver-me à liberdade. É que eu já andei lá... No tempo em que fazia coisas e em que corria, andava, e desfilava num rebolar ridículo, se quisesse. Não deambulava. Agora deambulo, só deambulo por aí, enquanto ando para o carro, enquanto corro para o autocarro, enquanto engano todos com as demonstrações mecanizadas de emoções que se tornaram parte da rotina. (Não me posso esquecer dos post-its para amanhã!)
O que é que se passa com as coisas que já não provocam nada? Por favor, quero sentir um valente estalo, um beijo violento, um orgasmo que não traga a sensação de fingido a um grito verdadeiro... Um frio de morte também serve, que o Natal é já para o mês que vem, e eu sentia-o. Quero sentir a música e deixar de bater o pé ao ritmo das lembranças daquilo que é "o que se faz".
Será que me desapaixonei da vivência máxima do sem sentido?
Quero devolver-me à liberdade. Lá, eu aceitava a vivência no rebentar de essências, vivia-as como balões que nos rebentam na cara. Muitos, seguidos.
E o sem sentido não interessava nada se para mim, sei lá, me bastava cheiro do teu shampô.
Sinto-me a sombra daquilo que julgava ser e tenho medo de não conseguir encontrar a esquina, ou o caixote... Haha, não é nada disso. Sei bem que aquilo de que tenho medo é de não haver uma esquina ou um caixote, por isso finjo preocupar-me com a sua brincadeira de esconde-esconde porque para se esconderem têm de existir, e isso é o que interessa, que estejam onde estiverem, estejam...
Acho que não está tudo preso, desapareceu foi tudo.
Vai-se a ver e eu, simplesmente, fui-me.
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3 comments:
o que eu acho justo é tu voltares ao teu blog e escreveres regularmente. isso sim, seria justo. ( agora vou para a aula de a.p, depois volto para ler isto -O "isto" completo - mais tarde farei as minhas considerações finais) :)
É uma linha e um repetir inúmeras vezes o que se lê. Gosto do que sentes, pelo menos da forma como o exteriorizas, ou talvez do modo como consegues fazer que consuma eu cada sentimento teu. Há informação aqui que me deixa com um arrepio excessivo, como quem tem um deja vu, sempre a mil à hora, sobreposto em demasiadas repetições. Adorei."Isto" acaba de ganhar uma fã e leitora assídua.
não está o mundo, mas estou eu. manda o mundo ir dar uma volta, que ele bem precisa, para ver se chegamos mais rapido ao verão (que merda de piada facil foi esta? às vezes sou o cumulo da idiotice), estou para aqui armada em parva mas o inverno tem o seu doce sabor.
Já os teus tiros- palavras- a mil à hora, eu acolho-os bem. E "isto" não é ridiculo, é isto, no seu sentido mais cruel, pois trata-se disto, e não daquilo. É concreto e violento. Sente-se essa velocidade na tua escrita, como quem passa a espirrar palavras, algo extremamente dinamico. And i like.
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